Atletas do UAveiro que participaram nos EUSA Combat Games tecem críticas à UA e AAUAv
Na passada quarta-feira, Kelvin Loforte e Constança Alves, atletas do UAveiro, terminaram as participações nos europeus universitários de combate. Em declarações à Ria, apontam problemas na comunicação de desporto na UA e falta de “acompanhamento” dos estudantes-atletas.
Maria Rego
JornalistaÚltimas
Na passada quarta-feira, dois estudantes do UAveiro (UA/AAUAv) terminaram as participações nos europeus universitários de combate. Kelvin Loforte conquistou o ouro no kickboxing, tornando-se campeão europeu universitário da modalidade de K1, na categoria masculina de menos 67 kg. Já, Constança Alves terminou em 7º lugar no judo, na categoria menos 48 kg.
Ambos os atletas conjugam o desporto com a vida académica. Kelvin Loforte é estudante da licenciatura de Engenharia Informática. À Ria, explica que conciliar os estudos com os treinos “foi difícil”, no entanto, os entraves para o desporto no contexto universitário vão mais além. “Acho que há coisas que podiam melhorar para termos mais atletas no kickboxing, porque eu sei que há muitos atletas na UA que poderiam estar a participar nisto, só que por falta de informação não conseguiram”, adianta.
O próprio estudante-atleta confidencia que apenas “soube este ano que a Universidade de Aveiro tinha kickboxing”. A descoberta foi feita através do treinador, Paulo Santos, que treinava Kelvin Loforte no Beira-mar. O primeiro contacto com o desporto na UA foi a partir das “captações”, mas foi um diálogo que acabou por ficar por ali. O acompanhamento do atleta aconteceu “mais só em alturas de campeonatos” e mesmo aí, Kelvin Loforte admite que “comunicava mais com o treinador e não com a UA”.
Apesar das “boas condições” prestadas aos atletas, a Universidade de Aveiro apresenta, na ótica do aluno, problemas na parte da comunicação. Kelvin Loforte acredita que poderiam, por exemplo, realizar “organizações de eventos, palestras, falarem um pouco mais do kickboxing, usarem as páginas para partilharem coisas sobre o kickboxing para venderem mais a imagem dos atletas e dos treinadores também”.
“Não tive contacto nenhum com a UA nem o meu treinador com a AAUAv desde o nacional universitário até à altura do europeu”
Os problemas não se cingem apenas ao kickboxing. Constança Alves, que terminou os europeus universitários de combate em 7º lugar no Judo, na categoria de menos 48 kg, sublinha que “é possível ainda atingir um patamar maior se forem proporcionadas outras coisas”.
A começar com “mais condições de treino com os clubes envolvidos de forma a que o atleta tenha um maior acompanhamento, tanto por parte dos treinadores que o acompanham aqui, como por parte da Universidade”. Segundo a atleta, este acompanhamento seria importante para “terem uma noção daquilo que é feito e da preparação que está a ser feita antes” das competições.
A falta de acompanhamento, explica Constança Alves, à Ria, parece que escolhe calendários. “Não tive contacto nenhum com a UA nem o meu treinador com a AAUAv (Associação Académica da Universidade de Aveiro) desde o nacional universitário até à altura do europeu. Ninguém sabe se eu estive a treinar e acho que para a UA era proveitoso saberem, porque podiam perceber quais são as necessidades do atleta”, relata.
Para além de falta de acompanhamento, a ligação com a Universidade também parece estar desconectada. “A sensação que eu tenho é que não há ninguém na UA que tenha noção dos sacrifícios que são feitos para nós estarmos aqui, tanto pessoais como a nível escolar e pessoal”, expõe. Conciliar “toda a dificuldade de preparamo-nos para uma competição quando está tudo de férias, psicologicamente acaba por mexer connosco”, adianta, apontando que também aí “podia haver uma maior ajuda e acompanhamento”.
Sobre a possibilidade dos EUSA Games decorrerem em Aveiro em 2032, Constança Alves vê com bons olhos a notícia, no entanto, admite: “Temos que mostrar que investimos no desporto e que o desporto é o nosso foco”. Falando do próprio exemplo, a atleta treinada por Nuno Vieira, explica que “é o primeiro ano que a Universidade de Aveiro tem representação [do judo] nos EUSA Combat Games” e que é importante “alertar a comunidade de que existem estas modalidades e que dentro da UA também se podem praticar”. “Existem cada vez mais estudantes-atletas a virem para Aveiro e seria uma forma de não perder grandes atletas. Mesmo para a UA seria benéfico, porque seriam mais pessoas a fazerem os CNUs e a darem visibilidade a mais uma modalidade”, conclui.
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