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Nexus esteve um ano a fazer um carro elétrico por “amor à camisola”: Projeto será apresentado amanhã

Ao longo do ano letivo de 2025/2026, o Nexus esteve empenhado na construção do primeiro carro elétrico da secção, que mais tarde, em julho, levou à Formula Student Portugal. Na véspera de o projeto ser apresentado à comunidade – acontecerá esta quarta-feira, dia 16, pelas 16h00, no Auditório Renato Araújo, no Edifício Central e da Reitoria da Universidade de Aveiro (UA) –, Ana Baeta, coordenadora da secção autónoma da AAUAv, falou à Ria sobre os desafios da construção do automóvel e deixou críticas à UA pela falta de reconhecimento interno da estrutura.

Nexus esteve um ano a fazer um carro elétrico por “amor à camisola”: Projeto será apresentado amanhã

O ano letivo 2025/2026 ficou marcado na história do Nexus, secção autónoma da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), pela construção do primeiro carro 100% elétrico da estrutura. Como descreve a coordenadora Ana Baeta, o Nexus tem duas equipas: a Formula Student, cujo objetivo é a construção de um carro – e que compete no Formula Student Portugal – e a Moto Student, cujo objetivo é a construção de uma moto – e que compete, de dois em dois anos, na Moto Student International Competition, em Aragão (Espanha).

O caminho rumo à construção do carro já tinha começado no ano letivo anterior, quando o Nexus competiu em “classe dois” com o “protótipo teórico”, que mereceu não só o feedback sobre o projeto como a validação da competição. Os problemas surgiram quando foi preciso “passar a da teoria para a prática” – Ana Baeta explica que, como o foco maior estava centrado na construção da mota, o carro acabou por ficar para segundo plano e o Nexus partiu com atraso em relação às restantes equipas.

Mas qual é o percurso até que o carro esteja pronto? Nas palavras de Ana Baeta: “Temos o departamento comercial e o departamento de operações, que são dois departamentos que contactam empresas para nós conseguirmos arranjar o material todo e para conseguirmos arranjar apoio financeiro, porque é algo que nos faz muita falta para conseguirmos pagar as inscrições […] São vários meses, muitos meses mesmo, em que se contactam milhares de empresas, seja de Aveiro, Porto, Lisboa, de quase todos os distritos de Portugal, empresas espanholas… já tivemos material a vir da Austrália, coisas assim. E depois, a partir do momento em que vamos recebendo o material, vamos conseguindo começar a organizar-nos”.

Como a procura começou mais tarde do que seria aconselhável, o Nexus acabou por receber muitos “nãos” das empresas com que normalmente contacta e foi obrigado a fazer o carro em tempo record. Conforme explica a coordenadora, houve também problemas com a empresa que ia fazer o ‘chassi’ – “peça fulcral dentro do carro” que acabou por ser feita “muito em cima da hora” –, o que levou ainda a um atraso maior.

Mesmo apesar de todos os contratempos, a equipa chegou ao Formula Student Portugal, em Castelo Branco, com o carro praticamente preparado para competir. No entanto, dois dias antes da competição, houve um curto circuito no acumulador: “A competição disse que o nosso carro não estava pronto. Há uma regra que é: se não está ‘ready to drive’,eles têm de nos dar pontuação nula. Então não tivemos pontuação praticamente nenhuma. Houve outra equipa que não tinha nada sequer;nós tínhamos tudo,sem ser o acumulador e o diferencial, só que eles não foram muito benevolentes”.

Segundo Ana Baeta, de todas as seis equipas presentes no Formula Student Portugal, apenas os estudantes do Instituto Superior Técnico da Universidade Lisboa foram capazes de colocar o carro a andar.

Nexus vai apresentar o carro esta quarta-feira no Auditório Renato Araújo

Finda a construção do carro, os responsáveis do Nexus vão prestar contas à comunidade e apresentar o produto final. É já nesta quarta-feira, dia 16, pelas 16h00, no Auditório Renato Araújo, no Edifício Central e da Reitoria da Universidade de Aveiro (UA), que acontece o ‘roll-in’ do carro: “O que vai acontecer é… falamos um bocadinho do que foi o nosso percurso este ano, das decisões do carro e, portanto, mostrar também cada departamento e o que é que fez… Ou seja, termos ali uma visão geral de cada parte do carro […] dar sempre aquele reconhecimento maior para quem esteve envolvido. Não só membros, como professores e as empresas”.

De acordo com a coordenadora, vão ser convidados a participar todos os parceiros do Nexus, as empresas que ajudaram, a maioria dos departamentos da UA, docentes, núcleos, e outras equipas portuguesas do Formula Student.

Secção queixa-se de falta de apoios e reconhecimento dentro da Universidade de Aveiro

De acordo com Ana Baeta, o Nexus mantém uma relação de grande proximidade com vários docentes da UA, que têm um papel no “aconselhamento” para a construção dos veículos – aliás, este ano, o professor António Completo, do Departamento de Engenharia Mecânica, foi o primeiro docente a acompanhar uma equipa do Nexus numa competição. No entanto, e apesar da universidade ser reconhecida pela sua ligação às engenharias, a coordenadora aponta que o projeto acaba por ser “pouco notado”.

A principal lacuna, argumenta, nota-se na falta de apoio financeiro, que quase obriga o projeto a ter de optar entre construir um carro / mota e competir. Conforme explica, a Universidade de Aveiro apoia o Nexus com 7.000 euros, via contrato-programa entre a UA e a AAUAv – um valor insuficiente face às despesas, tendo em conta que a inscrição nas competições ronda os 8.000 euros. Por oposição, Ana Baeta dá o exemplo do Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro (GrETUA), que, afirma, recebe “entre 20 e 30 mil euros” da mesma fonte.

“Nós conseguimos igualmente apresentar maneiras de gastar esse dinheiro, mas a resposta que nos dão sempre é: «Ah, mas vocês conseguem arranjar sozinhos”. O problema é que não percebem que o «arranjar sozinhos» engloba perdermos meses de trabalho a tentar arranjar material que não há, não é? Que é impossível de arranjar com parcerias, que tem que se pagar… e nós depois termos de pagar esses materiais implica, se calhar, não podermos ir a uma competição”, explica.

Ana Baeta enaltece o valor que a secção traz para a própria UA, lembrando que há vários estudantes que escolhem vir para a instituição de propósito por causa da secção. Segundo afirma, no Nexus existe um “nível de engenharia absurdo” e aprendem-se coisas que não se ensinam nas salas de aula – tanto que alguns dos melhores alunos de engenharia da Universidade estão no Nexus e que há quem acabe por trabalhar na indústria: “Nós temos imensos alunos que são antigos membros que estão na Formula 1 a trabalhar, que estão na Famel a trabalhar…”

Não obstante, o reconhecimento deve ir além da componente financeira e também deve estar espelhado no plano curricular dos alunos. Em comparação com outras instituições de ensino superior, onde estar numa equipa “quase que vale como uma cadeira” ou “sobe a média”, Ana Baeta aponta que na UA essa valorização é mais inexpressiva e que se podia manifestar, por exemplo, com a atribuição de créditos extra a quem participe.

A coordenadora não esquece que, devido à pressão da direção da AAUAv, o acesso à época especial de exames foi estendido a todos os que trabalham no Nexus, mas lembra que ainda há membros da equipa reitoral que desconhecem o funcionamento do projeto.

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